sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Mulher de 34 anos sofre AVC e suspeita é de que problema foi causado por anticoncepcionais







Desde que teve um AVC (Acidente Vascular Cerebral) no início do ano, a educadora física Renata Rangel, de 34 anos, tem passado por sessões diárias de fisioterapia para tentar se recuperar. Ela perdeu a fala e parte do movimento dos braços e pernas. A suspeita é de que o AVC tenha sido causado pelo uso de anticoncepcionais.
Rodrigo Bobrov, marido de Renata, conta que os primeiros sinais do AVC surgiram com dores no braço no dia em que o casal teria uma reunião de família. De acordo com Bobrov, ela começou a se sentir mal e foi levada para o hospital.
— Chegando no hospital fizeram uma tomografia nela. Não sabiam até então que era um AVC. Disseram que era uma crise nervosa que estava tendo.
O AVC só foi diagnosticado no dia seguinte. Renata mantinha uma rotina saudável. Não fumava ou bebia bebidas alcoólicas e corria diariamente 15 quilômetros. O modo de vida de Renata fez com que os médicos suspeitassem que o AVC tenha sido causado pelo uso de anticoncepcionais.
Rodrigo diz que essa hipótese foi levantada informalmente pelos médicos que acompanham o caso. Ele diz que um mês antes do acidente, a esposa substituiu o medicamento que tomava por um genérico. Como ela começou a se sentir mal, decidiu voltar a tomar o remédio anterior. Foi nesse período que aconteceu o AVC.  
A ginecologista Lizandra Moura explica que além do AVC, o medicamento também pode causar trombose. No entanto, a médica afirma que o uso do anticoncepcional é seguro e que o risco de um AVC pelo uso do contraceptivo é de 2 a 4 para cada 10 mil casos.  
Mesmo assim, o mais recomendável é sempre ter acompanhamento médico e só usar medicamentos receitados por um profissional.
— O melhor é procurar sempre a orientação de um profissional de saúde e evitar o uso indiscriminado ou que não tenha passado por um serviço.  
Ação beneficente
O tratamento de Renata tem o custo mensal de R$ 7 mil e para ajudar com as despesas, os amigos da família organizaram uma partida beneficente de futebol de salão.
O jogo terá a participação de jogadores da seleção brasileira e o ingresso vai custar R$ 20. A partida será realizada no dia 18 de dezembro e todo o dinheiro arrecadado será destinado para o tratamento de Renata.


quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Estimulação cerebral profunda melhora recuperação após AVC

A terapia de estimulação cerebral profunda (DBS, na sigla em inglês) – já usada em humanos para tratar sintomas da doença de Parkinson – está sendo testada na recuperação de paralisia causada por acidente vascular cerebral (AVC).
Os estudos em modelos animais foram coordenados pelo brasileiro Andre Machado, chairman do Cleveland Clinic Neurological Institute e diretor do Centro para Restauração Neurológica da Cleveland Clinic, nos Estados Unidos.
A equipe aguarda a autorização das autoridades de saúde norte-americanas para dar inícios aos primeiros ensaios em humanos 
O método consiste em implantar, por meio de cirurgia, pequenos eletrodos em áreas profundas do cérebro, além de um gerador de pulsos sob a pele, na região da clavícula.
Os impulsos elétricos são enviados do gerador até o cérebro, modulando a atividade de estruturas nervosas, estimulando a formação de novas sinapses e possivelmente até de novos neurônios. A técnica também vem sendo estudada por outros grupos no tratamento de depressão e dor crônica
“No caso da doença de Parkinson esse método reduz sintomas como tremor, rigidez e lentidão de movimentos. Em estudos com animais de laboratório, vimos que pode melhorar significativamente o resultado da reabilitação física após o AVC”, disse Machado em entrevista à Agência FAPESP.
No modelo animal, o grupo buscou estimular uma região do cerebelo conhecida como núcleo denteado, que tem conexões amplas e diretas com o córtex.
Para induzir um quadro de AVC isquêmico nos ratos, os pesquisadores recorreram a duas técnicas diferentes. A primeira foi a injeção local de um fármaco chamado endotelina, que diminui a passagem de sangue na artéria cerebral média.Na outra, a artéria foi coagulada e cortada por meio de microcirurgia.Em ambos os casos, um infarto é induzido na região irrigada pelo vaso, de maneira semelhante à que ocorre quando há uma obstrução por aterosclerose. A morte de parte do tecido cerebral resulta normalmente em paralisia parcial no lado oposto
Todos animais foram então submetidos à implantação do equipamento de estimulação cerebral profunda e passaram por um período de reabilitação física, uma espécie de fisioterapia adaptada. Metade dos roedores recebeu a estimulação cerebral e na outra metade, considerado como grupo controle, o estimulador não foi ativado
Foi então comparada a recuperação dos movimentos do grupo controle – que apenas passou por treinamento físico – com o grupo que recebeu a terapia de estimulação cerebral paralelamente ao treinamento físico
“Mensuramos a melhora por meio de tarefas já bem definidas na literatura científica, que buscam encorajar os animais a usar a pata afetada pelo AVC para pegar pedaços de comida e levá-los à boca.É possível comparar o número de pedaços e criar um índice de retorno de função. O grupo que passou pela DBS teve desempenho significativamente superior ao grupo controle”, contou Machado.
Mecanismo de ação
Ao investigar os mecanismos pelos quais a terapia induziu a melhora, a equipe descobriu que o grupo tratado apresentou o dobro do número de sinapses na área ao redor do AVC, quando comparado ao controle.
Também foi observado um aumento na expressão de proteínas relacionadas a um fenômeno conhecido como potencial de longa duração (LTP, na sigla em inglês), associado a processos de plasticidade cerebral.
“Esses dados indicam que a terapia favorece uma reorganização do cérebro, de modo que outras regiões possam assumir parte das funções que eram desempenhadas pelas áreas afetadas”, explicou Machado.
Estudos mais recentes do grupo, ainda não publicados, indicam que a terapia também induz o processo de neurogênese – que é a formação de novos neurônios – na área ao redor do AVC.
“Por meio de um método chamado imuno-histoquímica, analisamos amostras do tecido cerebral dos ratos submetidos ao tratamento e vimos aumento estatisticamente significativo no número de células novas comparado ao grupo controle”, disse o pesquisador.
Parte dos resultados obtidos até o momento foi divulgado em artigos na revistaBrain Stimulation, no The Journal of Neuroscience e na Frontiers Systems.
Nos Estados Unidos, quase 800 mil pessoas por ano sobrevivem ao AVC. Dessas, apenas 10% se recuperam quase totalmente. Cerca de 25% ficam com deficiência leve, 15% morrem pouco tempo após o episódio e 50% ficam severamente debilitados e dependentes de cuidados especiais.
No Brasil, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), ocorrem 100 mil mortes todos os anos pela doença, atingindo quase na mesma proporção homens (50,5%) e mulheres (49,5%). Estima-se que outros 300 mil  sobrevivem, ficando com sequelas ou não.